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No meu
funeral
No dia em que levarem meu corpo morto não penses que meu coração
ficara neste mundo.
Não chores por mim, nada de gritos e lamentações lembra que a
tristeza é mais uma cilada do demônio.
Ao ver o cortejo passar, não grites: “ele se foi!”
Para mim, será esse o momento do reencontro.
E quando me descerem ao tumulo, não digas adeus!
A sepultura é o véu diante da reunião no paraíso.
Ante a visão do corpo que desce pensa em minha ascensão.
Que há de errado com o declínio do sol e da lua?
O que te parece declínio, é tão somente alvorada.
E ainda que o tumulo te pareça prisão, e é ele que liberta a alma:
Toda semente que penetra na terra germina.
Assim também há de crescer a semente do homem.
O balde só se enche de água se desce ao fundo do poço.
Por que deveria o Jose do espírito reclamar do poço em que foi
atirado?
Fecha tua boca deste lado e abre-a mais alem.
Tua canção triunfara no alento do não-lugar.
- Rumi -
(Texto extraído do livro “Poemas Místicos”, de Jalad ud-Din Rumi –
Editora Attar).
A
evolução da forma
Toda a forma que vês tem seu arquétipo no mundo sem-lugar.
Se a forma se desvanece, não importa, permanece o original.
As belas figuras que viste, as sabias palavras que escutaste, não
te entristeças se pereceram.
Enquanto a fonte é abundante, o rio da água sem cessar.
Por que se lamentas se nenhum dos dois se detém?
A alma é a fonte, e as coisas criadas, os rios enquanto a fonte
jorra, corem os rios.
Tira da cabeça todo o pesar e sorve aos borbotões a água deste rio.
Que a água não seca, ela não tem fim.
Desde que chegaste ao mundo do ser, uma escada foi posta diante de
ti, para que escapasses.
Primeiro, foste mineral, depois se tornaste planta, e mais tarde,
animal.
Como pode se isto segredo para ti?
Finalmente foste homem, com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo – um punhado de pó – vê quão perfeito se tornou!
Quando tiveres cumprido tua jornada, decerto hás de regressar como
anjo; depois disso, terás terminado de vez com a
terra, e tua estação há de ser o céu.
Passa de novo pela vida angelical, entra naquele oceano, e que tua
gota se torne mar, cem vezes maior que o mar de
Oman
Abandona este filho que chamas corpo e diz sempre “Um” com toda a
alma.
Se teu corpo envelhece, que importa?
Ainda é fresca tua alma.
- Rumi –
(Texto extraído do livro “Poemas Místicos”, de Jalad ud-Din Rumi –
Editora Attar).
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