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Allan Kardec

"O pensamento é o laço que nos une aos Espíritos, e pelo pensamento nós atraímos os que simpatizam com as nossas idéias e inclinações".

 
Allan Kardec
"A ignorância dos princípios fundamentais é causa das falsas apreciações da maior parte dos que julgam o que não compreendem, ou que o fazem com base em idéias preconcebidas".
 

Mediunidade

  

“O objetivo maior da prática mediúnica no espiritismo é persuadir o ser humano para que ele seja, no decorrer do aprendizado evolutivo, médium de sua natureza divina”.

            Compreendendo a mediunidade 

"O pensamento é o laço que nos une aos Espíritos, e pelo pensamento nós atraímos os que simpatizam com as nossas idéias e inclinações". (Allan Kardec)

 “Uma vez admitido que os bons espíritos não podem dizer e fazer senão o bem, tudo o que for mau não pode provir de um bom espírito”. (Allan Kardec)

 "Afirmar que somente os maus espíritos se comunicam, é dizer que os bons não podem fazê-lo; se assim é, de duas uma: isto se passa pela vontade ou contra a vontade de Deus. Se for contra a sua vontade, é que os maus espíritos são mais poderosos do que Ele; se for por sua vontade, por que, em sua bondade, não permitiria aos bons, para contrabalançar a influência dos outros?” (Allan Kardec).

            “Espiritismo é a ciência da observação". (Allan Kardec)

           Mediunidade

           Mediunidade é uma sensibilidade existente em todos os seres vivos, tornando-os suscetíveis de receber influências das dimensões espirituais. No ser humano, apresenta-se mais complexa. Em alguns casos e em certas condições pode ser utilizada como elo de ligação entre o mundo físico e o mundo espiritual. Apresenta-se através de fenômenos de efeitos intelectuais (psicografia, psicofonia, clarividência, clariaudiência, etc) ou efeitos físicos (batidas, movimento de objetos, materializações, fenômenos de voz direta, etc). A mediunidade não é exclusividade do espiritismo e existe desde todos os tempos. Essa faculdade humana, ainda ignorada e rejeitada, tem sido o alicerce de todas as religiões, através de revelações, visões, curas, precognições (profecias), e outras fenomenologias.

           Médium

           Allan Kardec apresenta a seguinte definição: "Toda pessoa que sente, em um grau qualquer, a influência dos Espíritos é por isso mesmo médium". Embora todos sejamos dotados de diferentes graus de sensibilidade mediúnica, o codificador definiu como médium somente a pessoa capaz de produzir fenômenos ostensivos através de suas faculdades.

           Contato mediúnico

           É perfeitamente natural que nos comuniquemos com os espíritos desencarnados e eles conosco, uma vez que também somos espíritos, embora estejamos encarnados. Essa comunicação se estabelece em níveis mental-emocional e dentro dos princípios da lei de sintonia.

           Como educar a mediunidade e para que

           O espiritismo, cujos moldes são propostos por Allan Kardec, eleva a mediunidade à categoria de missão, uma importante forma de auxílio espiritual e crescimento interior. Portanto, implica na permanente reeducação dos sentimentos e na moralização do médium. Mediunidade não é uma aventura psíquica e sua prática inadequada está sujeita a graves dissabores, caso não sejam observadas ou conhecidas suas leis.

           A correta educação mediúnica se dá com segurança através do estudo das obras de Allan Kardec (sobretudo O Livro dos Médiuns), numa casa espírita idônea, devidamente preparada para tal, que possua um ou mais grupos de estudos mediúnicos compostos por pessoas sérias, desinteressadas e harmonizadas, tendo por orientadores instrutores preparados e experientes no assunto.

            Mediunidade não é privilégio

            Possuir sensibilidade mediúnica não implica em ser privilegiado nem ser mais evoluído, pois essa faculdade é independe das condições morais do indivíduo. Por essa razão, freqüentemente encontramos pessoas de moral duvidosa dotadas com expressivas possibilidades mediúnicas, enquanto outras, de conduta irrepreensível e dedicadas a Deus, mas incapazes de produzirem o menor fenômeno.

            Conforme pesquisou e concluiu Allan Kardec, a faculdade mediúnica é proveniente de uma disposição orgânica existente entre as ligações do corpo físico com o perispírito.

            Obstáculos que dificultam a prática da mediunidade

             O maior obstáculo é a ignorância ou o desconhecimento de suas leis. Disso resulta sua utilização incorreta e irresponsável, trazendo prejuízos e dissabores ao próprio médium e a quem lhe recorre às faculdades. Nessa categoria estão os pretensos “resolvem tudo”, pessoas de índole fanática, os adivinhadores ou ledores de sorte, os ideologicamente fascinados, etc.

            Outro inconveniente é o fato de todo médium iniciante receber impressões desagradáveis de espíritos inferiores, em função de sua insegurança e inexperiência.

            Educação e moralização mediúnica

            O correto exercício da mediunidade faculta o intercâmbio racional e produtivo entre a humanidade física e a espiritual, desdobrando amplamente os conceitos de fraternidade e solidariedade.

            Assim, o médium educado e moralizado, consciente das reais finalidades de seus dons, torna-se precioso instrumento de auxílio e esclarecimento. Por seu intermédio, permite que os bons espíritos desencarnados enviem mensagens esclarecedoras, ao mesmo tempo em que auxilia e ameniza aflições de entidades espirituais em desequilíbrio e sofrimento.

            Com sua percepção equilibrada pelo estudo e pelo esforço no Bem, o canal mediúnico passa a ser importante via de acesso e discernimento com o mundo invisível.

            A educação mediúnica, orientada pela codificação kardequiana, adestra o médium a perceber, classificar e direcionar as impressões positivas ou negativas recebidas. Aproveitando as boas sugestões e refutando as más, põe-se, com segurança, a caminho do progresso.

            Ao contrário, todo médium negligente, descuidado do labor de sua auto-edificação, torna-se presa fácil dos espíritos inferiores, causando prejuízos a quem lhe recorre às faculdades, além de perder significativa oportunidade de redenção e elevação, pois compromete-se com as leis divinas.

 

            Classificação dos médiuns

            Médiuns de efeitos físicos

            Podem ser divididos em dois grupos: os facultativos, que têm consciência dos fenômenos por eles produzidos e os involuntários, ou naturais, que são inconscientes de suas faculdades, mas são usados pelos espíritos para promoverem manifestações fenomênicas sem que o saibam.

            Por serem dotados de faculdade capaz de produzir efeitos materiais ostensivos, esses médiuns contribuíram grandemente pela divulgação das idéias espíritas. Eram muito comuns e, em grande parte, foram responsáveis pelo advento do espiritismo, pois suas manifestações chamavam a atenção das pessoas para a realidade do fenômeno.
            Normalmente, seus trabalhos são voltados para o despertamento da incredulidade humana, levando-a a cogitar sobre a existência dos espíritos e as realidades do mundo invisível. Os fenômenos são de ordem material, como movimento de objetos inertes, ruídos, voz direta, curas fenomênicas, transportes, levitação de corpos, interferências em contatos por instrumentos eletrônicos como TCI e EVP, etc.

             Médiuns de efeitos intelectuais

             São médiuns cujas faculdades produzem comunicações inteligentes, de conseqüências morais e filosóficas. Através delas podemos entrever as dimensões invisíveis e particularidades do modo de vida dos seres espirituais.

             Neste estudo, abordaremos alguns tipos de médiuns de efeitos intelectuais, conforme os classificou Allan Kardec.

            Médiuns sensitivos ou impressionáveis

            São pessoas suscetíveis de sentirem a presença dos espíritos por uma vaga impressão da qual não podem se dar conta. Essa variedade não tem um caráter bem definido. É a faculdade rudimentar indispensável ao desenvolvimento de todas as outras.

            Esta faculdade se desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do espírito que se aproxima, mas até a sua individualidade, como o cego reconhece, por uma razão desconhecida, a aproximação de tal ou tal pessoa. Torna-se, com relação aos espíritos, verdadeiro sensitivo. Um bom espírito produz sempre uma impressão suave e agradável, a de um mau espírito, ao contrário, é penosa, angustiosa, desagradável.

            Médiuns audientes

            Ouvem a voz dos Espíritos. O fenômeno manifesta-se algumas vezes como uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo. Outras vezes, dá-se como uma voz exterior, clara e distinta, semelhante a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, estabelecer conversação com os Espíritos. Quando têm o hábito de se comunicar com determinados espíritos, eles os reconhecem imediatamente pela natureza da voz.

            Esta faculdade é muito agradável, quando o médium só ouve espíritos bons, ou unicamente aqueles por quem chama. É perturbadora quando um espírito malfazejo o assedia com freqüência, fazendo-lhe ouvir a cada instante as coisas mais desagradáveis e não raro as mais inconvenientes. Neste caso já se instalou a obsessão, mas que, com cuidados necessários, é possível ser evitada ou repelida.

             Médiuns falantes

             O médium falante geralmente se exprime sem ter consciência do que diz e muitas vezes diz coisas completamente estranhas às suas idéias habituais, aos seus conhecimentos e, até, fora do alcance de sua inteligência. Embora se ache perfeitamente acordado e em estado normal, raramente guarda lembrança do que diz. Nele, a palavra é um instrumento de que se serve o Espírito, com o qual uma terceira pessoa pode comunicar-se, como pode com o auxilio de um médium audiente.
             Nem sempre, porém, é tão completa a passividade do médium falante. Alguns têm a intuição do que dizem, no momento mesmo em que pronunciam as palavras.

            Médiuns videntes

             Os médiuns videntes são dotados da faculdade de ver os Espíritos. Alguns possuem essa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados, e conservam lembrança precisa do que viram. Outros só a possuem em estado sonambúlico, ou próximo do sonambulismo. É muito raro a faculdade da vidência se mostrar permanente. Quase sempre é efeito de uma crise passageira. Na categoria dos médiuns videntes podem ser incluídas todas as pessoas dotadas de dupla vista.

            O médium vidente julga ver com os olhos, como os que são dotados de dupla vista. Mas, na realidade, é a alma quem vê e por isso é que eles tanto vêem com os olhos fechados, como com os olhos abertos.

            É necessário saber separar a vidência propriamente dita das aparições acidentais e espontâneas. A vidência consiste na possibilidade mais ou menos freqüente de ver os espíritos, embora varie de intensidade. As aparições acidentais de espíritos são comuns na hora do desencarne de entes queridos que se encontram distantes e aparecem para algum membro da família. Nessas visões, o espírito comunicante vem reafirmar seus laços afetivos ou fazer algum pedido geralmente de interesse familiar. Isso é muito mais comum do que se imagina.

           Entre os médiuns videntes, há alguns que só vêem os Espíritos evocados e cuja descrição podem fazer com exatidão minuciosa. Descrevem-lhes, com as menores particularidades, os gestos, a expressão da fisionomia, os traços do semblante, as vestes e, até, os sentimentos de que parecem animados. Outros há em quem a faculdade da vidência é ainda mais ampla: vêem toda a população espírita ambiente, a se mover em todos os sentidos, cuidando, poder-se-ia dizer, de seus afazeres.

            No entanto, essa faculdade varia de médium para médium e uma mesma visão pode ser captada de forma diferente por outro.

            Médiuns sonambúlicos

             Pode considerar-se o sonambulismo uma variedade da faculdade mediúnica, ou, melhor, são duas ordens de fenômenos que freqüentemente se acham reunidos. O sonâmbulo age sob a influência do seu próprio espírito. É sua alma que, nos momentos de emancipação, vê, ouve e percebe, fora dos limites dos sentidos. O que ele externa tira-o de si mesmo. Suas idéias são, em geral, mais justas do que no estado normal, seus conhecimentos mais dilatados, porque tem livre a alma. Numa palavra, ele vive antecipadamente a vida dos espíritos. O médium, ao contrário, é instrumento de uma inteligência estranha. É passivo e o que diz não vem de si.

            Em resumo, o sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento, enquanto que o médium exprime o de outrem. Mas, o Espírito que se comunica com um médium comum também o pode fazer com um sonâmbulo. Dá-se mesmo que, muitas vezes, o estado de emancipação da alma facilita essa comunicação.

            Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente os Espíritos e os descrevem com tanta precisão, como os médiuns videntes. Podem confabular com eles e transmitir-nos seus pensamentos. O que dizem, fora do âmbito de seus conhecimentos pessoais é com freqüência sugerido por outros Espíritos.

            Médiuns curadores

            Este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação. Dir-se-á, sem dúvida, que isso mais não é do que magnetismo.

             Evidentemente, o fluido magnético desempenha aí importante papel. Porém, quem examina cuidadosamente o fenômeno sem dificuldade reconhece que há mais alguma coisa. A magnetização ordinária é um verdadeiro tratamento seguido, regular e metódico. No caso que apreciamos, as coisas se passam de modo inteiramente diverso.

             Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo. A intervenção de uma potência oculta, que é o que constitui a mediunidade, se faz manifesta, em certas circunstâncias, sobretudo se considerarmos que a maioria das pessoas que podem, com razão, ser qualificadas de médiuns curadores recorre à prece, que é uma verdadeira evocação.

             Médiuns escreventes ou psicógrafos

             De todos os meios de comunicação, a escrita manual é o mais simples, mais cômodo e, sobretudo, mais completo. Para ele devem tender todos os esforços, porquanto permite se estabeleçam, com os Espíritos, relações tão continuadas e regulares, como as que existem entre nós. Com tanto mais afinco deve ser empregado, quanto é por ele que os Espíritos revelam melhor sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento, ou da sua inferioridade. Pela facilidade que encontram em exprimir-se por esse meio, eles nos revelam seus mais íntimos pensamentos e nos facultam julgá-los e apreciar-lhes o valor. Para o médium, a faculdade de escrever é, além disso, a mais suscetível de desenvolver-se pelo exercício.

              Médiuns Psicógrafos ou Escreventes: São os mais comuns. Transmitem as comunicações dos espíritos através da escrita. São subdivididos em mecânicos, semimecânicos e intuitivos.

              Mecânicos: Não têm consciência do que escrevem e a influência do pensamento do médium na comunicação é quase nenhuma. Como há um grande domínio da entidade sobre a faculdade mediúnica a idéia do espírito comunicante se expressa com maior clareza. Há casos em que o médium psicografa mensagens complexas conversando com outras pessoas, totalmente distraído do que escreve.

             Semimecânicos: A influência da entidade comunicante sobre as faculdades mediúnicas não é tão intensa, pois a comunicação sofre uma influência do pensamento do médium. Isso ocorre com a maioria dos médiuns psicógrafos.

              Intuitivos: Recebem a idéia do espírito comunicante e a interpretam, desenvolvendo-a com os recursos de suas próprias possibilidades morais e intelectuais.

              Influência moral do médium nas comunicações

              Conforme orienta Allan Kardec, "os Espíritos que nos cercam não são passivos: formam uma população essencialmente inquieta, que pensa e age sem cessar, que nos influencia, mal grado nosso, que nos excita e nos dissuade, que nos impulsiona para o bem ou para o mal, o que não nos tira o livre arbítrio mais que os bons ou maus conselhos que recebemos de nossos semelhantes. Entretanto, quando os Espíritos imperfeitos solicitam alguém a fazer uma coisa má, sabem eles muito bem a quem se dirigem e não vão perder o tempo onde vêem que serão mal recebidos; eles nos excitam conforme as nossas inclinações ou conforme os germens que em nós vêem e segundo as nossas disposições para os escutar. Eis porque o homem firme nos princípios do bem não lhes serve de presa".

              Influência do meio sobre as comunicações

              Os espíritos elevados jamais se apresentam em reuniões frívolas, motivadas por interesses mesquinhos e imediatistas, onde os participantes não se acham animados por intenções sérias e sublimes.

             Portanto, para estabelecer contato com a espiritualidade superior, são necessárias intenções puras e uma reta conduta moral.

             Qual outro motivo faria um espírito elevado ocupar-se em comunicar-se conosco, senão pela pureza de nossos propósitos e a moralidade de nossa conduta?

             Somos forçados a reconhecer a gravidade e a responsabilidade que cabe a todo grupo e a toda sociedade que se propõe a praticar trabalhos de intercâmbio. E a considerar, também, porque são tão poucas as pessoas, grupos e sociedades, realmente eficientes, nessa difícil e tão nobre prática de aquisição e propagação do bem.

             Mediunidade na Bíblia

             Quando refletimos sobre diversas passagens bíblicas e outras mais diretamente ligadas a tarefa messiânica de Jesus, notamos seu constante relacionamento com pessoas subjugadas por espíritos malfazejos. Os exemplos são muitos e os evangelhos são enfáticos em apresentar os diálogos travados por ele com esses seres perturbadores.

            Também está muito claro nas escrituras a preponderância moral exercida por Jesus sobre esses espíritos infelizes, que imediatamente o reconheciam como um ser enviado por Deus. Tanto é verdade que se submetiam à sua vontade irresistível e as curas (entendidas como milagres) ocorriam.

              Assim, libertando os sofredores de seus algozes espirituais, o Divino Mestre inaugurava na Terra o exercício da mediunidade consoladora, com fins libertadores e de esclarecimento.  

              Mas não foi apenas curando obsedados:

              1.- Jesus afirmou a influência de espíritos bons e maus sobre as pessoas: quando Pedro declarou “Tu és o Cristo” (ver Mt. 16:7) e no caso do espírito maligno expulso (Mt. 12:43 e Lc. 11:24); 

              2.- Estabeleceu o intercâmbio mediúnico com o Além ao conversar com Moisés (que anteriormente fora obrigado a proibir a comunicação com os espíritos devido aos abusos dos israelitas) e Elias materializados no monte Tabor (Mt. 17:1/18) e com a legião de espíritos que obisidiava um homem em Gadara (Mc. 5-1/20); 

                3.- Desenvolveu e potencializou as faculdades mediúnicas nos discípulos (“conferiu-lhes poder”), ordenando que trabalhassem com elas (“curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios”) (Mt. 10-17:21); 

                4.- Por ocasião do dia de Pentecostes, quando os discípulos, mediunizados pela ação do Espírito Santo (que nada mais é senão a plêiade dos Espíritos do Senhor), falaram inesperadamente até mesmo em vários idiomas.

              A Mediunidade no Espiritismo 

              Com o passar do tempo, grupos religiosos, já afastados dos princípios sublimes do cristianismo primitivo, tentaram proibir novamente o intercâmbio mediúnico, dizendo ser obra do demônio, perseguindo médiuns de boa procedência e acusando-os de bruxaria e feitiçaria.

              Mas a sensibilidade já se desenvolvera na espécie humana e a mediunidade se generalizara, tornando-se impossível conter a manifestação dos espíritos por toda parte.

              Vem, então, o espiritismo, dando sentido e orientações precisas à mediunidade, apresentando-a como valioso instrumento de espiritualização do ser humano. Através de Allan Kardec, fica estabelecida sua finalidade superior e os meios seguros para o seu desenvolvimento e sua prática.

             Indícios do despertamento de mediunidade expressiva

              O exercício bem orientado da mediunidade faculta ao médium iniciante equilíbrio e serenidade, bem-estar e paz interior.

              Atualmente, um número assombroso de pessoas encontra-se em lastimável estado de perturbação, depressão, doenças, vícios, criminalidade, etc, simplesmente por não terem atentado ao fato de que, compreendendo as possibilidades inatas em sua alma, conhecendo melhor sua tendência moral, bem como as origens de seus pensamentos e sentimentos, evitariam tantas calamidades existenciais.

              O desabrochar da mediunidade, muitas vezes relaciona-se com os seguintes indícios:

  • Súbitas alterações emocionais;

  • Sensibilidade emotiva acentuada;

  • Visões, percepções de vultos ou audição de vozes;

  • Necessidade compulsiva e inoportuna de escrever idéias ou praticar atos que não são próprios da pessoa;

  • Calafrios, sensação de formigamento na cabeça e nas mãos;

  • Mal-estar em determinados ambientes ou em presença de certas pessoas;

  • Sensações de enfermidades inexistentes;

  • Persistente e perturbadora fixação mental em idéias negativas

             Obviamente, esses sintomas podem ocorrer sem que seja necessariamente um sinal de predisposição mediúnica. No caso do despertar da mediunidade propriamente dito, quando estes sintomas surgem, normalmente aparecem associados uns com outros, com maior ou menor intensidade, variando com a condição espiritual da pessoa.

             

              Conclusão

 

              A mediunidade jamais foi e será um privilégio do espiritismo, pois ela existe e se manifesta em indivíduos de todas as religiões e até mesmo dos que não professam nenhuma. As manifestações mediúnicas podem ser encontradas desde as eras primitivas, nos registros das escrituras sagradas de todos os povos (inclusive a bíblia), nos atuais trabalhos da umbanda, nos cultos afros, nos grupos de cunho esotérico e místicos, ou mesmo nas práticas evangélicas ou carismáticas. Também a encontramos na magia negra, nos rituais satânicos, nas confrarias que arquitetam e espalham o terror, etc.

              Médium significa ser intermediário, estar no meio de atuações de forças espirituais (benéficas ou nocivas) e a elas responder, de acordo com seu livre-arbítrio, consciente ou inconscientemente, à sintonia estabelecida.

              Pela distorção com que a mídia sensacionalista apresenta certas pessoas se auto-intitulando "médiuns" e "espíritas", muitos acreditam que o estudo esclarecedor que o espiritismo oferece sobre a fenomenologia mediúnica pode ser perigoso ao indivíduo. Mas é justamente o contrário. O perigo está em ser desconhecedor das leis espirituais que regem nosso ser, sendo a faculdade mediúnica um de seus mais expressivos atributos.

              Quem com seriedade e sem preconceito estudou e meditou sobre O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, sabe muito bem disso.

               A mediunidade é uma potencialidade de todo ser humano. Sob sua influência, sem que o saibamos, adotamos pensamentos, sentimentos, condutas e praticamos ações, porque as dimensões físicas e espirituais se interpenetram, influenciam e interagem.

            Pela sintonia mental-emocional, que acontece de forma natural e espontânea, nossa mente a todo instante é bombardeada por idéias, impressões, pressentimentos ou mesmo intuições, que são sempre aceitas ou não em função de nosso livre-arbítrio. Esse bombardear psíquico se dá pela influenciação das humanidades física (encarnada) e espiritual (desencarnada).

             Por isso, a eclosão da mediunidade não depende de classe social, idade, religião, raça ou sexo.

             O espiritismo elevou a mediunidade à categoria de missão, pois nela reconhece um convite divino para a reavaliação e conseqüente renovação de nossa jornada espiritual na Terra. Ao educar a sua mediunidade, o médium nada mais faz do que reeducar seus pensamentos e sentimentos para o bem e o altruísmo incondicional.

               O objetivo maior da prática mediúnica no espiritismo é persuadir o ser humano para que seja, no decorrer do aprendizado evolutivo, médium de sua natureza divina.

               Por esse motivo, os espíritos benfeitores que assistiram a Allan Kardec, definiram Jesus como sendo o médium de Deus, por ser ele o maior dispensador da graça divina que já passou pelo nosso mundo.

               E foi o próprio Cristo, quem mais alto sacramentou a excelência da mediunidade indicando-a, pelo próprio exemplo, como meta suprema para a sintonia perfeita, ao proferir: "As obras que eu faço, não sou eu que as faço. É o Pai em mim que faz as obras. De mim mesmo, eu nada posso fazer". 

 
 

 

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